Preços dos Restaurantes em São Paulo: Diversos Lados da Questão

Para quem gosta de comer fora em São Paulo, está cada dia mais difícil se conformar com os preços abusivos das contas dos restaurantes. Depois de ler diversos posts e matérias sobre este assunto, e aproveitando que a São Paulo Restaurant Week está aí, resolví oferecer a vocês a minha reflexão sobre o assunto, onde além do lado consumidor eu vou explorar um pouquinho um outro lado, o lado do garçon/maitre de restaurante, além de conselhos de como se defender. Acho que o que eu tenho pra relatar sobre isso será um pouco desconcertante, mas ajudará a entender um pouco melhor como seu jantarzinho singelo acaba custando cem reais por pessoa sem vinho.
Mesmo considerando os preços altos de pratos, os 10% de serviço (que em muitos lugares já viraram 11, 12 ou 13), a imensa maioria das reclamações é que as contas dos restaurantes chegam magicamente infladas por itens (às vezes não solicitados) como couverts caríssimos, inúmeras garrafas de água, cafézinhos de preço astronomico, e até praticas desonestas como cobrar os 10% em cima de estacionamento e rolha (pra quem não sabe, rolha e estacionamento são serviços, portanto se for cobrado porcentagem em cima você estará pagando duas vezes a mesma coisa).
Faça o teste: vá a um restaurante qualquer e antes de pedir a conta tente calcular o quanto você gastou. Eu garanto pra você que mesmo sem esquecer de calcular o serviço, sua conta certamente estará pelo menos 10 a 20% acima do que você calculou. Falta transparência aos restaurantes, que oferecem amuse-bouches, couverts e repõe garrafas de água sem autorização e sem avisar o preço dos produtos.
Mas vamos aos chocantes fatos (tudo que estou relatando aqui é baseado em minhas experiências e observações, não é fofoca nem especulação): A gerência dos restaurantes pressiona os garçoms a realizarem estes malabarismos para inflar as contas. Se o garçom não deixa sua água na mesa, enche seu copo de dois em dois minutos e acaba por enfiar mais 3 garrafas de água de 5 reais na sua conta, ele faz isso porque o superior lhe cobra este comportamento, sob a alegação de que o aumento das vendas e, consequentemente da porcentagem de serviço aumentará os ganhos de todos. E ressalto que eu não estou dizendo que o funcionário é encorajado a agir assim; isso é uma norma dos restaurantes, com o único e exclusivo objetivo de elevar o valor do couvert médio (couvert médio é a média de quanto se gasta por pessoa em um restaurante).
Tendo ciência destes fatos, perca a vergonha tome atitudes efetivas para manter o controle da situação (e da sua conta):
- Pergunte qual é o valor do couvert e o que está incluso. Se não achar a opção atraente ou necessária recuse.
- Quando oferecida a água, pergunte o valor. Mais tarde, se achar que o garçon está se empolgando com a resposição, peça para deixar a garrafa na mesa.
- Confira também o valor do cafézinho.
- Se algum outro item for oferecido (drink, amuse-bouche, etc) não esqueça de sempre questionar o valor cobrado, e nunca tenha medo de recusar o produto, mesmo que garçom jogue na sua mesa e saia correndo.
- Pedir comida em casa acaba sendo mais barato que sair, pois a taxa de entrega normalmente equivale à de serviço e você se livra do couvert, entrada e café empurrados e ainda pode dispensar as bebidas caríssimas e tomar sua própria água e vinhos. Na região dos jardins, os restaurantes Spot e Ritz tem bons serviços de entrega, que chegam rápido e entregam os pratos no geral em boa forma.
- Vá jantar em um bar! Atualmente existem vários bares com pegada bem gastronômica, que oferecem pratos delicioso e novamente, não adotam o costume de empurrar itens. Só tome cuidado para não se acabar nos drinks e destilados e terminar com o bolso vazio e a cabeça cheia.
- Sempre lembre-se que você é o cliente e sabe o quanto pode gastar. Não é crime nenhum entrar num restaurante caro com um orçamento planejado para experimentar um prato famoso acompanhado por uma garrafinha de água. Você não tem que ser milionário para isso, e nem tem que ter vergonha de não permitir que te explorem. Aliás, ainda que você tenha dinheiro mais que suficiente para pagar pelo combo couvert, água e cafézinho, não precisa fazer isso só porque o garçon quer.
- Por fim, esteja preparado para passar por situações desconfortáveis na mão de alguns atendentes sem educação. Infelizmente isto acontece porque algumas casas se acham mais importante que seus próprios fregueses, que devem se sentir privilegiados por receber a maravilhosa experiência de comer em suas mesas. Nesses casos eu recomendo que faça uma reclamação pelo tratamento, e se a situação se repetir não volte mais.
Essas atitudes ao meu ver, não só evitam surpresas desgradáveis como demonstram para as casas que o público está mais consciente e insatisfeito com este tipo de tratamento. Resta esperar pra ver se o mercado vai se dar conta disso antes que ocorram maiores traumas para os clientes, e problemas para os restaurantes.

About these ads

Uma resposta to “Preços dos Restaurantes em São Paulo: Diversos Lados da Questão”

  1. Existem ainda outras armadilhas no caminho, pratos extremamente caros em um menu onde o total por pessoa é até razoavel, um exemplo, a sardinha do Bar da Dona Onça onde uma porção com 3 sardinhas custa R$ 26,00 enquanto o quilo da sardinha, em média 14 peixes custa R$ 4,00 no mercado de Pinheiros. Eu acho exagero! J De M.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: