Noite

Da sacada, contou as janelas ainda acordadas, que eram menos, mas eram muitas, e que ela achava que compensavam a escassez de estrelas.
Os gritos no escuro da rua arregalavam seus olhos para o chão, e vinham do fundo de tudo que era cidade.
Tentava sempre espionar janelas alheias, mas jamais teve paciência que bastasse para encontrar aquelas pessoas míticas que vivem nas janelas e sempre são vítimas e amantes, e que choram sozinhas. Só encontrava salas vazias com luzes sempre acessas e cadeiras viradas de costas.
Tudo era como um cenário.

Publicado originalmente em 01/05/2007

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