Desânimo

Estou num tempo de mágoa como há muito não sentia. Num estado de espírito de ficar matutando desgostosamente, ressentindo tudo de mim, sem me amar nem um pouco que seja. O curioso é nada fiz de errado, é mais o contrário. De repente a vida me engoliu igual um Tsunami, e depois de muito nadar e me debater meus braços e pernas não querem mais responder. É engraçado como as coisas têm sempre um jeito de mudar assim e te derrubar de cima dos pés sempre quando se está mais calmo e confiante. Engraçado, mas de forma nenhuma surpreendente, porque estando no topo só se pode mesmo descer (mais provável despencar), só que a gente sempre esquece, de tão fácil que é ser arrogante e se fingir de centro do mundo.
Daí volta o vazio, o eterno buraco na cabeça que não tem nada que preencha nessa hora (porque quem não tem alegria fica mesmo dependente de um sentido) e que motiva todas as filosofias e as religiões. E o vazio eu sei que não se preenche com coisas, nem com amizades, nem sequer com amores, mas parece tão certo pensar que se houvesse mais um vestido, se houvesse ainda um contato com a antiga turma seria tudo mais fácil. Passo então a lamentar a minha inexorável tendência a afastar-me dos outros e sentir-me alheia, e para ser menos sozinha imagino outras realidades cheias de conhecidos e desconhecidos que são todos meus cúmplices e companheiros. Nessa hora é que eu acordo apavorada, porque não há nada mais triste do que ter que inventar uma felicidade.
Só uma coisa me acalma: vai passar. Tudo passa.

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