A polêmica KONY 2012 e algumas questões que me incomodam

Não, este blog não morreu ainda. Só que esta que vos fala tem cada dia mais acreditado que nesses tempos de excesso de informação, é sempre melhor falar menos e melhor.
Assisti ao vídeo KONY 2012 e é claro que me emocionei (ao contrário de algumas pessoas muito mais ultra evoluídas que não se comoveram, já adotaram imediatamente a muito mais sábia atitude de questionamento) e não vou mentir, compartilhei na mesma hora e sem muito pensar. No mesmo dia já apareceu alguém na minha timeline mandando quem compartilhou o vídeo ir pra África construir casas para as criancinhas e deixar de ser hipócrita. Poucos dias depois, começaram a pipocar os inúmeros textos falando sobre tudo o que tem de errado com o vídeo, com a iniciativa, com a invisible children…
O primeiro ponto que me chamou a atenção, é que a base do questionamento de 9 entre 10 pessoas esclarecidas que não acreditam em qualquer coisa é a porcentagem do dinheiro que a organização gasta com a produção e divulgação de vídeos. Por um lado acho válido questionar se isso realmente é uma coisa que vai ajudar efetivamente os envolvidos no problema, por outro me pareceu que a IC deixa bem claro que está focada na conscientização e esses dados só provam que eles realmente estão focados nisso.
Outra coisa que me impressionou foi que parecia que muitos dos textos questionando o vídeo eram cópias idênticas uns dos outros, e alguns pareciam realmente ter sido escritos por alguém que nem assistiu o vídeo.Então pensei: não é possível que seja mesmo só esse o motivo de tanta revolta. E continuei indo atrás de informação.
Enfim cheguei a questões mais importantes, como a simplificação excessiva da questão (que embora seja incômoda é esperada), e (para mim o grande erro do KONY 2012) a vitimização dos cidadãos e dos governos envolvidos e um enfoque totalmente maniqueísta e ultrapassado que coloca os americanos como salvadores de um povo indefeso. Como brasileira (cidadã de um país dito terceiro mundo e problemático) posso, guardadas as devidas proporções, entender como se sentem as pessoas que se vêm assim retratadas. É tipo a conversa de internacionalizar a Amazonia pra preservá-la.
Não vou entrar nos detalhes dissecando dados e fazendo uma colcha de retalhos de citações, mas penso que se por um lado a Invisible Children fez um grande trabalho ao trazer essa realidade aos olhos do mundo, ela peca ao se colocar como a resposta para um mundo melhor. A resposta para um mundo melhor envolve muito mais esforço do que isso. Não vem ao caso aqui qual foi a minha escolha (apoiar ou não apoiar, eis a questão), mas nessa discussão vi se repetir um padrão que tem me incomodado muito.
Se você assiste o vídeo, compra o kit, cola os cartazes, usa a pulseirinha e se sente uma pessoa melhor e mais evoluídas, você tem que deixar de ser trouxa, ler as outras opiniões, acompanhar os resultados (não só semana que vem, acompanhar de verdade, tipo pelos próximos 100 anos) e cobrar dessas pessoas posturas que você ache condizente com essa maravilhosa promessa que eles fizeram. Você tem o dever de fazer tudo isso, uma vez que com seu dinheiro e seu apoio deu a essas pessoas recursos para prosseguirem.
Agora, se você resolver que discorda e que não quer participar disso porque você é mega questionador e vê com clareza todas as falhas dessa iniciativa e ficar xingando muito no twitter os trouxas, você é pior ainda. Você é parte desse grupo inexplicável de pessoas que nunca acha que nada que ninguém faz é bom o suficiente. Bom mesmo é você que não faz porra nenhuma. Vamos chamar essas pessoas de galera do já fomos mais inteligentes.
A galera do já fomos mais inteligentes acha todas as piadas bobas e superficiais, e sabe apontar imediatamente todos os motivos porque as pessoas que se engajam em alguma coisa estão sendo ingênuas. Não importa se é sobre o Kony, sobre pinheirinho ou sobre ajudar os animais abandonados, eles sabem o que estamos fazendo de errados e quais aspectos não consideramos (e que fazem com que nossos esforços sejam fadados ao fracasso). E principalmente, eles sempre tem conselhos sobre como podíamos melhor utilizar nosso tempo, dinheiro e dedicação. Eu só tenho uma coisa pra dizer pra TODAS essas pessoas: Vai encher o saco da sua mãe meu caro, e pare de perder seu tempo comigo. Me deixa mesmo aqui na minha ignorância idealista de quem vai mudar o mundo, errando, aprendendo e tentando fazer valer minhas opiniões, e fica aí no seu grupinho que tudo vê e tudo sabe.
Discussão e questionamento sempre. Pessimismo e agressividade, acho que vou deixar pra próxima.

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